Por dentro de uma agência – Parte 1 (Hardnews)
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Outro dia vi na credencial de um colega fotógrafo, no lugar dedicado ao nome do veículo: Roiters. Não vou citar os envolvidos, mas era o crachá de um evento de relevância nacional, tocado por uma das grandes assessorias do País. E o responsável pelo credenciamento não sabia como escrever o nome de uma das maiores agências de notícia do mundo, a Reuters (www.reuters.com). E não estou sendo implicante. Nem mesmo um estagiário erraria a grafia de um grande jornal ou revista. Mas de uma agência sim.
Também não estou tendo surto de “primo pobre”. Só que essa história do primeiro parágrafo se soma às constantes perguntas que me fazem sobre o que eu faço quando digo ser diretor de uma agência fotográfica. Para responder vou escrever este e mais dois artigos tentando ser didático sobre o funcionamento de uma agência, mais especificamente das fotográficas. Por motivo óbvio, sou dono de uma e conheço melhor seu funcionamento.
Não vou me ater ao histórico das agências, mas como elas estão formadas hoje. Dividi esta explicação em três partes para falar dos três pilares que sustentam boa parte desse mercado: hardnews, institucional e editorial. Muita gente pode dar outros nomes, algumas agências não atendem todos esses mercados, mas outros. Entretanto, creio que com esta tríade consigo cobrir meu objetivo, que é o sonho da maioria daqueles que trabalham com comunicação: deixar claro até para minha mãe como diabos eu ganho a vida.
Vamos lá, hardenews… Com o enxugamento das Redações dos meios tradicionais (jornais e revistas) e a sede por quantidade dos portais na Internet, nenhum veículo hoje tem uma equipe de fotógrafos capaz de alimentar toda a demanda. É caro ter fotógrafos espalhados pelo mundo todo. Mais caro ainda ter profissionais de pauta capazes de saber dos eventos, conseguir as credenciais (quando necessárias), encontrar um fotógrafo disponível e fazer com que ele esteja no lugar e produza o material em tempo hábil. As agências se especializaram em fazer tudo isso.
Hoje, cada veículo tem um número indefinido de pauteiros, apuradores, fotógrafos, editores, tratadores de imagens a sua disposição. E, o mais interessante, só paga o que consumir. Você já olhou com atenção os créditos de fotos publicadas? Faço isso por dever profissional e gosto, mas para este artigo decidi esquematizar um pouco. Peguei a edição mais recente da revista Veja, com data de capa de 15 de fevereiro, e contabilizei as imagens. De 92 fotos publicadas com crédito, 47 foram produzidas por agências. Dessas, 23 por agências nacionais (sendo que parte das outras 24 foram feitas por profissionais de agências internacionais alocados no Brasil).

Ou seja, sem o trabalho das agências, a editora Abril teria de se virar para “tapar” mais da metade dos espaços destinados a imagens em sua principal publicação. A opção seria ter fotógrafos em Salvador, Estados Unidos, Brasília, Índia, Rio de Janeiro, São Paulo… e, o mais importante, garantir que cada um desses profissionais trouxesse a melhor foto, digna de publicação.
O que muita gente ainda não entendeu, principalmente no meio da comunicação corporativa e das assessoria de imprensa, é que as agências de notícias são veículos cujos clientes cativos são outros veículos. Geram conteúdo de notícia e com uma vantagem: abrangência. Se um jornal ou revista não fecha mais sem o suporte de uma assessoria de imprensa, não vai para a banca (ou para o ar) sem as agências.
Nossos clientes estão no mundo todo (já tivemos imagens publicadas na Índia, China, Malásia, Europa e provavelmente em outros lugares que não captamos). Só no segundo semestre de 2011, em uma conta subestimada, tivemos mais de 5 mil publicações, nos aproximando de mil por mês. Um número bom para uma agência com menos de um ano de mercado. E considerável se levarmos em conta que da Veja aos jornais regionais das regiões Norte e Centro Oeste, sem contar portais, sites e blogs, todos deram ao menos uma foto nossa no período.
O jogo está chegando a um ponto no qual além de oferecer material as agências estão sendo procuradas pelos veículos para cobrir pautas para as quais eles não conseguem enviar profissionais. Ouvi outro dia de uma colega assessora que, ao fazer follow, ouviu da editora do outro lado: “A agência X vai? Então tranquilo, não vou mandar fotografo, mas compro deles”. Ou seja, por uma contingência de mercado, nos tornamos fornecedores preferenciais de conteúdo. E, claro, sobrevive quem tem ética e qualidade.
Rodrigo Dionisio é fotografo, jornalista e vice-versa, além de ser sócio-diretor da FramePhoto Agência Fotográfica (www.framephoto.com.br)
É Rodrigo, muitas vezes é até dificl explicar pra pessoa na “porta” o que é uma AGENCIA fotográfica.
Grande parte das acessorias nao está acompanhando a evolução do meio.
abs.