Keep Walking

Postado por Rodrigo Dionisio, quinta-feira 17 dezembro 2009 as 10:23

Quem me conhece sabe, não sou exatamente a pessoa mais espiritualizada do mundo. Ao menos, nunca me ouviu defender pessoas que se isolam do mundo, vão morar em topos de montanhas ou vivem experiências sensoriais habitando o sertão de sei lá eu onde. Muito pelo contrário. Apesar de toda consciência acumulada sobre a miséria humana, deito minha cabeça no travesseiro e durmo muito bem morando a uma quadra de distância do Minhocão. Por outro lado, talvez pela chegada da idade, comecei a ter apreço por idéias como fazer o Caminho de Santiago. Não, nem imagino atingir a iluminação, mas sou um andarilho contumaz, tudo que posso faço a pé. E percorrer aquele lugar, ver o existente, histórico, palpável, encontrar os personagens dali, estar comigo mesmo e ter um desafio a cumprir me agrada.

Esse papo todo para contar sobre o projeto the longest way. Terminou já faz um tempo, mas caiu no meu radar virtual há uma semana. Por causa do vídeo postado no início deste texto. Também sou fotógrafo, sempre entro em discussões sobre novos usos de fotografia digital, e minha namorada me mandou o link. Começamos a falar sobre o projeto, eu e ela, e a pergunta que surgiu quase imediatamente: esse maluco foi patrocinado? A resposta para ambos: óbvio que sim, ninguém se mete em uma história dessas sem levar grana. Mas depois, até para este post, fiz algumas buscas, revirei o blog do Christoph Rehage, mas não achei nenhum logo, nada de marcas ou empresas promovendo a caminhada.

Se alguém do marketing da Johnie Walker ler este post, me responda, comente. Por que diabos esse menino não tem um Keep Walking estampado no site dele? Comecei o post falando de espiritualismo para vender tudo ao mercado, coisa feia. Mas com olhos de RP é impossível olhar para o projeto e não perceber o quanto isso renderia. A história de Christoph vale cobertura jornalística, livro, filme (imagino o ator principal de Lua Nova, o qual fiquei com preguiça de pesquisar o nome, barbudo, tremendo de frio na travessia de uma montanha na China…). Ok, nosso andarilho aventureiro pode simplesmente ter se recusado a receber qualquer tipo de patrocínio. Ou ter sido tão inapto a ponto de receber o patrocínio e não colocar em lugar nenhum (duvido).

Muito mais provável é o fato dele ter passado abaixo do radar das corporações. Sim, eu mesmo, longe de ser um tapado virtual, só achei essa história agora, por indicação. Mas o fato para mim está na pouca habilidade de empresas localizarem fenômenos potenciais e investir neles. Fala-se muito em nossos tempos sobre criar buzz, gerar burburinho, inventar projetos capazes de gerar mídia. Na verdade, muitos deles estão prontos. Falta tempo, falta dinheiro, acho difícil qualquer estrutura de marketing ter alguém dedicado a isso. Mas também é muito mais complicado as ações nascerem do gosto pessoal dos profissionais da área, serem infladas artificialmente e depois empurradas para o setor de Relações Públicas ou web resolverem. Há centenas e centenas de “christophs” perdidos por aí, esperando um olhar atento. Os mais espertos (ou ambiciosos) já organizam suas viagens astrais em formato projeto. E de uma maneira geral, as empresas são meras receptoras, sem um olhar atento para potenciais verdadeiros.

Virei fã de Christoph, estou acompanhando a operação de nariz dele agora. Espero que um dia ele resolva retomar o projeto, chegue até a Alemanha. E para o bem das boas ideias, as quais merecem apoio, tenha um logo em sua camisa, mesmo que coberto pela barba, nas próximas fotos.


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