All in 04

Os bastidores de coberturas grandes como esta são um delicioso capítulo a parte. Na Torre de Babel formada na sala de imprensa, um pouco de hábitos e costumes variados se encontram. De uma maneira geral, a mídia esportiva é composta por profissionais jovens, e, apesar da seriedade demonstrada pela maioria, o bom humor domina o ambiente. Entre os brasileiros, quando o papo não é pôquer, domina a conversa sobre futebol, óbvio. Agora mesmo está rolando uma discussão sobre as contratações para a próxima temporada. “Mas vocês só pegam refugo do Corinthians, é isso?”, provoca um jornalista torcedor do São Paulo contra um atleticano de Minas Gerais.
Além das pessoas, o próprio ambiente tem suas peculiaridades. Estamos ao lado da sala de jogos, na qual um telão ligado em um PS3, acho, fica rodando o dia todo para permitir aos jornalistas e jogadores momentos de descontração. Também fazem parte da sala uma mesa de sinuca, outra de pebolim (ou totó, para os cariocas) e um outro videogame, no lado oposto à parede da sala de imprensa. Sem dúvida é uma ótima ideia para entreter e integrar todos os participantes do evento. A única parte um pouco incômoda é que a trilha sonora da sala de imprensa é a música vinda do videogame. Isso quando não há alguém efetivamente jogando. Há pouco ouvíamos algo parecido com Street Fighter, e agora toca um daqueles roquinhos de abertura de jogo, quando ele fica em stand by.

Outra atração sonora à parte é a presença da rádio da Poker Road (www.pokerroad.com). Eles transmitem programas algumas vezes ao dia, com entrevistas e cobertura do torneio. Imagine o que seria três integrantes do Pânico (o do rádio, não dá TV), fazendo o programa ao seu lado. É um momento no qual parte da sala de imprensa para para acompanhar a transmissão e dar risada. No ambiente amistoso criado aqui, essa interferência que poderia ser irritante em outros ambientes nos quais estive com coleguinhas, se torna algo leve, realmente uma atração, como disse no início do parágrafo. Sem contar as piadas com o guitarrista Slash que, descobrimos, anda o tempo todo “montado”, de cartola e jaqueta de couro, mas isso é outra história.
O ambiente é majoritariamente masculino, e são inevitáveis os comentários sobre a jogadora mais bonita, a musa do torneio e as sacanagens comuns entre “garotos” já barbados. A organização ainda incentiva a integração com dois eventos, repetidos a cada etapa de torneio. Na quarta tivemos um jantar de imprensa, com todos reunidos. Ontem foi o dia do torneio de pôquer para a mídia, com quarenta participantes e um brasileiro em terceiro lugar (e mais tiração de sarro e piada com a habilidade _ou falta dela_ dos colegas com as cartas). Isso tudo torna o fato de estar uma semana longe de casa mais leve, e permite o surgimento de algumas amizades (há gente que vai a vários torneios e se frequenta fora daqui). Sim, é trabalho, para todos, mas uma viagem como está sempre é algo que justifica de maneira prática a escolha por uma profissão que nos leva muito além dos escritórios e salas de reunião.
