All in 05

Postado por Rodrigo Dionisio, terça-feira 12 janeiro 2010 as 0:15

Vencedor do PCA 2010

Terça-feira embarco de volta para o Brasil. O evento principal do PCA – PokerStars Caribbean Adventure terminou com vitória do norte-americano Harrison Gimble após 7 dias de torneio com mais de 1.500 inscritos. Para encerrar esta série gostaria de deixar um depoimento sobre um dos temas recorrentes quando se fala sobre pôquer. Sorte. Além de assunto das rodas de bate-papo,  a definição de quanto a sorte (ou o azar) interfere em um jogo como este vale o entendimento de se ele pode ou não ser praticado de maneira mais ampla no Brasil. Como disse no primeiro post, jogos cujo resultado dependa majoritariamente do acaso para serem ganhos são proibidos no país, e laudos periciais atestam que este não é o caso do pôquer (aqui).

Não sou especialista forense, e, como disse, este é um depoimento, estritamente pessoal, de um profissional cuja rotina há dois anos tem sido invadida por torneios e jogos online. Sou um apaixonado por pôquer, e entendo o quanto de estratégia, concentração e dedicação são necessários para vencer um torneio. Mas para quem nunca esteve perto de termos como all in, under the gun, blind e buy-in, alguns paralelos podem ser feitos. É difícil encontrar algum brasileiro que nunca tenha participado de alguma rodada de jogos de tabuleiro. E incluo aqui desde a tranca ou buraco disputado com avós até dominó com alguns tios e primos, para não falar de xadrez ou gamão, já reconhecidos como “esportes da mente”.

Claro, há diferenças enormes entre uma madrugada de carteado na casa de praia e um torneio com inscrição de 10 mil dólares. Entretanto, um princípio é básico em todas essas modalidades: a sorte vai dar a você as primeiras peças para participar. Quando as cartas ou as pedras são distribuídas, isso acontece aleatoriamente e você (ou seu parceiro) pode receber uma mão boa ou estar diante de uma tragédia. A partir daí, conta a habilidade de cada um. Sim, há mãos quase impossíveis, e momentos nos quais depois de horas nada bom aparece. Entretanto, voltando ao exemplo da tranca, provavelmente você já passou um feriado inteiro tentando em vão derrotar a dupla daquelas suas tias do interior, independentemente do que você recebesse, e vendo as velhinhas tirarem sarro da sua cara por ser prego com as cartas.

Ou seja, há sorte no pôquer? Sim. Ela determina o resultado de um torneio? Raramente. Depois de tantos, já vi, sim, grandes jogadores deixarem a competição contra um franco-atirador sortudo. Mas na maior parte das vezes, ganha quem joga melhor, quem está mais concentrado e quem, no fim, sabe o que está fazendo. E por mais ingênua, essa comparação entre o dominó de domingo e o pôquer, como disse, é o grande nó da questão para grandes torneios cheguarem ao Brasil. É preciso entender o quanto a modalidade é séria, exige treino e dedicação e envolve estruturas legais com braços em todo o mundo. São empresas multinacionais, movimentando dinheiro limpo.

Se na maior parte do tempo os torneios acontecem em espaços com cassinos, isso ocorre pois países nos quais o jogo é proibido colocam o pôquer no saco da roleta e do caça-níqueis, e o inverso também é verdadeiro. Mas, como já ocorre no Brasil, qualquer hotel pode receber em seu centro de convenções um torneio. Aqui mesmo, no Atlantis, o cassino está a uma boa distância do campo do PCA, organizado no salão de eventos. Para o pôquer, entendido na maior parte do mundo civilizado como esporte, é necessário entendimento, reconhecimento e basta regulamentação.

Para o meio da comunicação, e é assim no mundo todo, torneios de pôquer e uma outra visão sobre este esporte representam investimento em publicidade, assunto para cobertura, movimentação editorial e das assessorias e empresas de comunicação corporativa. Até onde eu tenha contato, a XPress é a única agência envolvida com o tema no país. Há espaço para bem mais. Isso sem contar turismo, outros serviços, hotelaria. Em resumo, pôquer não é sorte. Entender isso e ver mais investimento e regulamentação sobre o tema podem trazer enormes benefícios para toda uma rede, de fãs do esporte a veículos de comunicação. O tempo dirá para onde vamos.


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