As redes sociais e a minha tendinite

Postado por Rodrigo Dionisio, quinta-feira 24 junho 2010 as 12:40

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Artigo

helenaPor Helena Duncan*

Eu sou uma pessoa comunicativa e curiosa, tenho personalidade extrovertida e, desde criança, adoro interagir das maneiras mais diferentes com o universo à minha volta. Tamanha minha abertura, que minha mãe temia que um estranho me chamasse e eu fosse embora, batendo aquele papo animado. Estes traços de personalidade me levaram a trazer a comunicação para minha vida de forma definitiva e profissional: me tornei jornalista. Queria buscar histórias úteis, queria que meus olhos, ouvidos e escrita servissem à humanidade de alguma maneira. Na idade mais idealista, quando entrei pra universidade, pensava que jornalismo investigativo seria meu destino, inclusive.

Segui um caminho que considero interessante e diversificado na comunicação: trabalhei em TV, em revista e, morando em Nova York, idealizei e viabilizei programas pra TV brasileira. Descobri a comunicação corporativa um tanto por acaso e me apaixonei, fiz uma pós em marketing, trabalhei em multinacional e hoje sou sócia de uma agência bacanérrima. Entendi o quanto podemos usar a criatividade e todas as qualidades de bom jornalista de maneira sutil e inteligente no mundo das empresas e marcas.

Minha relação com as ferramentas de web sempre foi visceral, apesar de tímida, já que sou uma legítima “migrante digital” (termo usado por Mark Priensky para nomear quem não nasceu na era digital). Eu gostava de Orkut, mas fiquei tão intensamente envolvida que deletei e criei meu perfil umas 3 vezes. Demorei a entrar no Facebook, mas também fiquei bastante entretida por lá. Já ensaiei um blog inúmeras vezes, mas nunca a ponto de colocar em prática. Hoje em dia não vivo sem o meu Black Berry e sou um tanto viciada no Twitter.

O Twitter se tornou um capítulo à parte na minha vida. Nas minhas férias, ano passado, tinha acabado de criar minha conta e acabei usando-o como um diário das minhas peripécias mais engraçadas na Europa, fato que me rendeu muitos seguidores e um convite pra escrever sobre Paris num blog. Fiquei feliz e segui em frente. Sou uma profissional de comunicação, vivo numa época em que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório e em que uma ferramenta como o Twitter proporciona furos colossais em grandes colunas, o que considero fascinante. Hoje em dia, blogueiros e tuiteiros com cara de nerd ocupam as primeiras filas dos desfiles de moda mais importantes do mundo com seus laptops, quando antes este lugar era reservado a grandes editores de revistas de moda e só. O mundo se curva à tecnologia, até aí nenhuma novidade.

O fato é que eu tuito sobre trabalho, mas resolvi manter os traços mais importantes da minha personalidade nos posts, bem como episódios da minha vida pessoal – a viagem à Europa foi um exemplo. Comecei a perceber também que os perfis que mais me interessavam, fosse jornalista famoso, personagem fictício, ou veículo de importância nacional, eram os que me mostravam algo de humano por detrás dos 140 caracteres. Eu tenho como objetivo no Twitter até agora: me manter informada, interagir com quem me interessa profissionalmente, pessoalmente, e aprender. Aprendo muito e sobre tudo no Twitter, especialmente sobre as relações humanas.

Quando as pessoas íntimas na minha vida pessoal e real não me reconhecem totalmente ali, ou quando uma pessoa desconhecida parece me conhecer melhor que meus vizinhos, percebo na pele que as consequências dessa ferramenta são astronômicas. Eu não coloquei uma foto muito de cara, escrevi no perfil apenas que sou jornalista e carioca, no entanto, quem me segue sabe que eu corro e estou sofrendo com uma tendinite, que vejo pôr do sol no Arpoador vez ou outra, quem são meus clientes, entre milhares de outras informações, muitas delas pessoais.

Quando conheci hoje uma cliente de São Paulo e ela falou da minha tendinite, fiquei preocupada: será que estou me expondo muito pessoalmente? Será que dizer que corro e me machuquei não é o assunto que devia estar nos meus posts, executiva que sou? Resolvi então escrever este texto porque, pra mim, escrever sempre será a resposta. Os twitters das empresas e marcas devem manter um diálogo eficiente com seus clientes e consumidores, devem ter agilidade e transparência, devem dar informações úteis e saber ouvir.

Penso que eu, sócia-diretora de uma agência de comunicação, também. Por isso, quando um cliente souber da minha tendinite, pode significar também que ele sabe o quanto minha vida profissional é importante pra mim, o quanto o trabalho ocupa meus dias e pensamentos mais sagrados e, finalmente, que não faço apologia das ferramentas e redes sociais da boca para fora, eu acredito nelas.

Só posso dizer que é um caminho a se trilhar e que quando entramos nele de verdade, seja de forma comercial, seja de forma pessoal, ou misturando ambos, usufruímos de um outro mundo novo, conhecemos outras pessoas e nos aproximamos do que nos interessa, seja música erudita, cultura pop, comunicação, notícias do bairro do Leblon, ou da África (como os jogos da Copa), as surpresas virão, sem dúvidas. Então, quero continuar tuitando muito durante a Copa e, melhor do que isso, rir muito com os posts e acompanhar os jogos com pessoas do mundo inteiro. E sim, que todos saibam que sou Botafogo!

*Helena Duncan, diretora XPress Rio de Janeiro e apaixonada por web, pode serencontrada no Twitter e no Facebook

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10 Comentários »

  1. Comentário by Lia Macêdo — 25 de junho de 2010 @ 18:49

    Olá Helena,
    Quero lhe parabenizar pela paixão q vc expressa pelo seu talento. Mais importante do fazer o que ama é amar o q faz. Sinto encanto por quem tem a capacidade de tornar as palavras em textos inteligente com o seu.
    Muito bom mesmo.
    Congratulations
    @lycili

  2. Comentário by Marta Madalon — 26 de junho de 2010 @ 21:07

    É isso aí, Helena, concordo com vc!
    Fiquei feliz ao ler seu texto e compartilhar a mesma visão.

  3. Comentário by Adriana — 28 de junho de 2010 @ 2:24

    Aló, Helena se tenho que dizer a verdade minha conta em Twitter foi feita só pra seguir uma pessoa à qual eu lhe envie um e-mail e que ela respondio de uma forma muito humana.
    E se não escrevo em meu Twitter é porque não acho que a ninguém lhe possa importar o que escrevo , só por ser de outra, nacionalidade
    São poucas à pessoas que sigo, só gosto das pessoas que dizem coisas com sentido E você sos uma delas, e se estou seguindo aos brasileiros e a nenhum de meu país e por que os adoro a vocês.
    Meu comentário sobre esta nota é que você sabe muito bem o que diz, é inteligente, e sobretudo humana. Um beijo grande, eu também gosto de comunicar-me com as pessoas de todo o universo.

  4. Comentário by Solange Paraíso — 28 de junho de 2010 @ 20:40

    Não me admira que você e Zélia sejam da mesma árvore genealógica… Senti isso na sensibilidade com que você expôs o assunto aqui. É engraçado, mas acho que somos feitas da mesma matéria(eu, você, Zélia, Isabella Taviani e tantas outras pessoinhas especiais:não nos envergonhamos de dizer o que sentimos, de nos emocionar, de celebrar a simplicidade nas pequenas coisas e gestos da vida cotidiana.
    Parabéns!

  5. Comentário by Rodrigo Dionisio — 29 de junho de 2010 @ 12:24

    O que me estimula querer escrever ainda mais e publicar na internet são comentários bacanas como os que recebi até agora aqui neste espaço, interatividade! Obrigada pelos incentivos e vamos seguir trocando então! Helena

  6. Comentário by The Gunslinger - O Nerd Escritor — 29 de junho de 2010 @ 12:56

    Quando um cliente descobrir a sua tendinite, ele irá perceber que está tratando de negócios com uma pessoa, uma profissional, mas acima de tudo uma pessoa, como ele próprio. :)

    Post bem legal!

  7. Comentário by Marcio Debellian — 29 de junho de 2010 @ 13:06

    Lêla, o texto ficou otimo! E eu virei muito mais twitteiro por sua causa!!!
    beijo grande.

  8. Comentário by Malu Fernandes — 29 de junho de 2010 @ 17:46

    Helena, este é o texto de uma pessoa feliz, que assume o que pensa e sente. Precisamos cada vez nos expor mais para atrairmos mais gente sensível, do bem, que valoriza a ética, o respeito, o carinho e o amor em cada ato: no trabalho, com um amigo e ao atravessar a rua. Identificada como clone seu quando entrou para a TV Globo, ao ler este desabafo, tenho certeza. Desde pequena também sou esta vira-latas que fala com todos, circula nas diversas tribos e, por isso, cursar comunicação foi um caminho natural. Não sei aonde vamos chegar, mas o importante é verificarmos se estamos no caminho. Fica com deus. Beijo da sua fã, Malu Fernandes
    p.s. Blog é bem legal tb. Dá uma olhada no meu. Sempre que dá tempo, ali exponho a dobra da minha alma no que tange ao interesse público.

  9. Comentário by Eliene Freitas — 1 de julho de 2010 @ 16:02

    Parabéns Helena!!!! Pela sua sinceridade, adorei ter lido mais sobre vc!!!te sigo no twitter.
    Um forte abraço.
    Eliene Freitas

  10. Comentário by Fausto Rêgo — 7 de abril de 2011 @ 20:24

    Beleza de texto, Helena. Ainda estamos engatinhando nas redes sociais, mas, no fundo, elas são um espaço de consolidação das relações humanas. E exibir a própria humanidade, quando se é do bem, é sempre positivo. :-)

    Beijos!

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