Com que roupa eu vou?

Postado por Rodrigo Dionisio, terça-feira 25 maio 2010 as 11:23

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Lilian PacceXPress Entrevista – Lilian Pacce

“Todo mundo acha que pode palpitar sobre moda, por ser algo muito próximo da vida de cada um”

Lilian Pacce é um dos nomes mais conhecidos e influentes do jornalismo de moda nacional. Começou sua carreia Na Folha de S.Paulo, onde, em 1987, cobria os desfiles do eixo Paris-Milão- Londres- NY. No jornal ainda editou uma página de moda semanal no caderno Ilustrada. Hoje é apresentadora e coordenadora editorial do GNT Fashion, programa de moda semanal do canal GNT. É crítica de moda do jornal O Estado de S.Paulo e ministra palestras sobre moda, tendências, comportamento e ecotendências. Lilian ainda comanda um espaço virtual que leva seu nome e é referência no setor, o www.lilianpacce.com.br. O perfil completo da jornalista está disponível aqui.

Para esta entrevista, enviaram perguntas os coordenadores de núcleo Geisa Balint, de Brasil Foods, Fabiana Marques, do grupo Sonae Sierra, e Rodrigo Dionisio, do núcleo Digital. Também colaborou com questões Alessandra Oliveira, atendimento da divisão de perfumes e cosméticos da LVMH na XPress. A agência ainda tem entre seus clientes na área de moda a marca Klin. O bate-papo aconteceu por telefone, na quinta-feira passada.

XComunicacao: Qual é para você o principal veículo de expressão: impresso, eletrônico ou online?
Lilian Pacce:
Sem dúvida, televisão e online, que hoje para mim se complementam. Hoje, os dois são os que mais exigem minha presença e dedicação, além de serem os que garantem mais trabalho. Na internet, o contato é direto, quase corpo-a-corpo. Já na TV, há uma sensação de intimidade, as pessoas me vêem na tela, entro na casa delas e elas se sentem íntimas. A soma dessa sensação de intimidade com o contato direto da internet tornam a comunicação muito interessante, muito rica.

XComunicacao: Você conhece ou acompanha o trabalho de cobertura de moda virtual, como o da Camila Coutinho, do Garotas Estúpidas? Quem são os nomes a se prestar atenção neste meio?
Lilian Pacce: Conheço o trabalho da Camila, mas minhas referências são quase sempre internacionais, como o WGSN. Também acabo me baseando mais em grandes jornais e revistas de moda lá de fora. Do Brasil, lembro ainda online do Agora que Sou Rica e recebi há pouco tempo o link do Tofu na China, que é uma graça e acabou de ser lançado pela Giovanna Barbieri, que trabalhou comigo.

XComunicacao: No Brasil o chamado “grande público” só ouve falar de moda intensivamente durante as semanas do Rio e, principalmente, de São Paulo. Mesmo nos grandes veículos, muitas vezes, a cobertura de moda está ligada ao colunismo social. O brasileiro se importa pouco com o tema, ou ele é mesmo um assunto de nicho?
Lilian Pacce: Moda é uma especialidade, como esporte, e por isso tem um espaço determinado dentro da cobertura. E, realmente, acaba recebendo uma atenção de viés mais social, uma coisa da celebridade, da primeira fila do desfile. No fundo, pouca gente realmente entende de moda e o trabalho da mídia é pouco específico, todo mundo acha que pode palpitar por ser algo muito próximo da vida de cada um.

Os blogs, mesmo de moda, trazem um olhar fresco sobre o tema, mas poucas pessoas responsáveis por eles têm conhecimento de uma cultura de moda ou base sobre história da moda. Ou, pior, tem muita gente que dá notícia paga, ou em troca de presente. Acho inadmissível, mas vejo acontecer. Espero que isso não aconteça em jornal…

XComunicacao: Na batalha das marcas, o que se deve ou não fazer na hora de abordar um jornalista? Qual o caminho para ser notado, principalmente para quem está entrando no mercado?
Lilian Pacce: Onde há notícia, há reportagem. Na abordagem das assessorias de imprensa, não dá para me ligar e perguntar: “qual pauta você está fazendo?”. Não vou contar o que estou trabalhando, muitas vezes nem sei quem está do outro lado. Falta mais gente que ligue para dizer quais são seus clientes, quais as novidades, para oferecer ideias. O ideal é entrar em contato e dizer: “vamos pensar juntos?”.

XComunicacao: Como tomou conhecimento da ideia de moda sustentável? E como é o envolvimento com o tema?
Lilian Pacce: Eu fui uma das primeiras aqui no Brasil a levantar essa bandeira, quando em 2007 preparei uma palestra sobre o tema. Já tinha isso na minha vida pessoal e busco tratar do assunto na moda, que é uma das indústrias mais poluentes do mundo. Por outro lado, também é uma das indústrias que mais tem capacidade de fazer a cabeça das pessoas e, portanto, deve ser usada para conscientizar. Criei há um tempo um canal no meu site, o Recicle-se, para falar somente de iniciativas Ecofrendly. Tinha medo no início de não encontrar conteúdo para este espaço, mas me surpreendi, hoje tem bastante material.

XComunicacao: Mas, na sua opinião, a indústria da moda está mesmo empenhada em absorver o conceito sustentável e produzir roupas Ecofrendly? Como está isso no Brasil?
Lilian Pacce: É uma ficha que está caindo para todo mundo, não só para a moda, mas para a indústria automobilística também, por exemplo. E não é só gerar um produto final ecologicamente correto, mas mudar toda uma linha de produção. Se não dá para usar apenas corantes naturais nas roupas, para tratar um jeans, por exemplo, tem de tratar a água resultante deste processo. É preciso encontrar novas matérias-primas. Não precisa ser também mal-acabado, mal-feito ou parecer roupa de feira hippie. Se não puder ser 100% ecológico, deve ser consciente.

As marcas ainda podem transformar isso em uma plataforma de negócio, transformar o ecológico em um novo luxo, investir em design. O Brasil tem pequenos movimentos e ações nesse sentido. Há uma marca chamada Éden, na Vila Madalena, em São Paulo, que trabalha com algodão orgânico, tem uns produtos bacanas.

XComunicacao: Você foi também uma das primeiras jornalistas a comentar sobre a Débora Müller. Como você vê o trabalho desta modelo e o que a difere das demais? Ela é a próxima Gisele Bündchen?
Lilian Pacce: A Débora é apenas uma das pessoas sobre as quais eu falo. A pessoa que elaborou a pergunta deve ter visto meu blog em um dia no qual estava mais empolgada com ela (risos). Falo também da Thana Kuhnen, que também desfila muito bem lá fora, mas ainda é pouco conhecida. Elas têm um jeito, uma maneira de andar… é difícil dizer o que faz uma boa modelo, mas isso é perceptível para quem vê. Ah, tem a Alicia Kuczman que eu gosto muito também.

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1 Comentário »

  1. Comentário by Eloa — 27 de maio de 2010 @ 15:59

    Parabéns pela entrevista, acredito no pontencial dessa meninada, são jovens e tem muito chão. Boa sorte a elas. Isso é Brasil, mostrando o que tem de melhor. Ja, ja estaram nas passarelas,ocupando seus lugares. Parabénsssssss.

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