Deu no New York Times

Postado por Rodrigo Dionisio, sexta-feira 27 agosto 2010 as 10:33

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Artigo

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PrtScr da página no Facebook da Delhi Traffic Police (clique aqui para visitar)

Por Guilhermo Benitez*

Muitos bits já foram gastos discutindo a ação, no Twitter, das diversas “franquias” da Operação Lei Seca. São grupos regionais que usam a ferramenta para avisar publicamente sobre a existência ou não de fiscalização em vias próximas aos principais bares e restaurantes das cidades, buscando livrar os motoristas que ficaram no happy hour de problemas com a polícia.

Enquanto, aqui, as autoridades criticam a iniciativa, em nossa nação irmã no BRIC, a Índia, elas estão usando as mídias sociais para fiscalizar infratores de trânsito. O “case” de uso das redes sociais rendeu reportagem no encarte semanal do The New York Times publicado aqui no Brasil pela Folha de S.Paulo.

A ideia, simples, aparentemente foi além do que se propunha. Segundo o jornal norte-americano, a polícia de trânsito da capital indiana, Nova Delí, famosa por seus congestionamentos monstruosos, abriu um perfil no Facebook para incentivar os habitantes a expressarem suas opiniões e sugerirem melhorias e mudanças.

Só nisto já há um avanço considerável na gestão do trânsito em relação ao que temos em São Paulo, por exemplo, onde este tipo de interação digital com os motoristas ainda não é possível.

Mas os cidadãos de Nova Delí iniciaram – segundo a reportagem, de forma autônoma – a postar fotos e vídeos de motoristas cometendo infrações nas vias públicas. De repente, o contingente de cerca de cinco mil policiais (pequeno para os mais de 12 milhões de habitantes) foi reforçada por milhares de fiscais virtuais.

Incentivadora ou não da prática, a polícia local não se fez de rogada e começou a mandar multas para os proprietários dos veículos flagrados em delitos.

Assim como a ação dos grupos brasileiros da Lei Seca, o projeto indiano acendeu caloroso debate, desta vez no outro estremo: a atividade não estaria invadindo a privacidade alheia? Não poderiam os “fiscais” montarem imagens falsas e assim denunciar falsamente inimigos ou desafetos? Fotografar a lambança alheia quando se está ao volante não seria, em si, uma infração das regras de trânsito, com potencial de criar novos acidentes?

Sem respostas, fica aqui mais um caso de inovação no uso das redes sociais, agora como serviço (ou desserviço) público.

E, voltando ao caso do Twitter da Operação Lei Seca, sem qualquer juízo de valor, fica a dica para as autoridades agirem com mais inteligência e menos mão pesada. Se as informações de para onde os possíveis motoristas infratores se dirigem está disponível, em tempo real, na internet, porque não usar isto para, com agilidade, melhorar a fiscalização?

* Guilhermo Benitez é sócio-diretor da XPress Assessoria em Comunicação e coloca estas e outras idéias no ar em http://coffeebreak-br.blogspot.com e www.twitter.com/guibenitez

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