Empresas, fiquem fora da web 2.0

Postado por Rodrigo Dionisio, terça-feira 6 julho 2010 as 16:14

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Artigo

Por Rodrigo Dionisio*

Não sou o primeiro, muito menos o último. Mas boa parte de nós, trabalhando com mídias sociais, tem gastado tempo e bytes para registrar nossas opiniões sobre para onde vai a web 2.0 no ambiente corporativo. E este texto não é diferente, apesar de buscar uma pequena contramão. Em vez de incentivar as companhias a investirem nesse meio, afinal, é o que todos estão fazendo, gostaria de dar alguns conselhos para quem não deve se aventurar na dita internet social. Cinco dicas rápidas, não devem doer.

1) Não entre na web 2.0 se você não tem algo relevante a dizer. Pesquisa da @ComScore indica que o alcance dos sites de notícia é de 65,8% da base dos internautas ativos brasileiros. O dos blogs, 65,7%. Aliás, nesse quesito, blogs, somos líderes (o alcance mundial fica em 51%, e o da América do Norte, 62,7%). Ou seja, internautas brasileiros praticam a leitura de notícias e opinião. Se você não consegue usar isso a seu favor, gerando informação, ou se o seu conteúdo não resistir a uma comparação feita via busca do Google, afaste-se.

2) Mídia social serve para sociabilizar. Se não está disposto a discutir, interagir e fazer parte do grupo, nem comece. Segundo a mesma pesquisa mencionada no item 1, o segundo uso de internet na América Latina é o de relacionamento social (81,9% de alcance, perdendo apenas para busca, com 85,5%). Facebook e Orkut dominam o cenário. A primeira ferramenta tem 49,1% de alcance e uma média de 203,7 minutos de conexão por usuário ao mês; a segunda, 25,4% em alcance e 360,8 minutos em tempo. Se o perfil da sua companhia é fechado, com baixo índice de interação e relação unidirecional, não vai ser a internet que a tornará o cara popular da balada.

3) Você acha internet uma coisa de jovem, essa molecada descolada, seu filho, seu sobrinho, quem gosta desse negócio de blog… Fique longe. Segundo outra pesquisa da mesma @ComScore, 62,6% dos usuários brasileiros têm 25 anos ou mais. Esse número refere-se a acessos em casa e no trabalho, provavelmente a inclusão de lanhouses aumentaria a participação da faixa de 6 a 24 anos (divisão etária levada em conta no estudo). Feita essa ressalva importante, é preciso entender a internet como uma “novidade” de quase 20 anos, em sua versão popularizada. Os nativos digitais hoje já são profissionais estabelecidos no mercado, tomadores de decisão e formadores de opinião.

4) Mantenha distância ainda da web 2.0 se sua empresa acredita que ela é uma ferramenta de divulgação utilizada para oferecer produtos e gerar vendas. Também é isso. Mas, muito mais, as redes sociais servem para gerar reputação. Segundo estudo mencionado por Marcelo Negrini (@mnegrini) a respeito do uso de redes por empresas, aproximadamente 75% dos 106 presidentes de companhias ouvidos acreditavam que o uso de redes sociais aumentava a eficiência dos seus negócios. Mais de 50% declararam ser este tipo de ferramenta uma solução efetiva pra problemas da companhia. Detalhe, o estudo é de 2006, com empresas norte-americanas. Em 4 anos, as redes só ganharam força e abrangência e crescem no Brasil como em quase nenhum outro lugar do mundo.

5) Qualquer um lida com redes sociais, são plataformas baratas (se não gratuitas) e basta ter um estagiário e um Twitter, assim como seu concorrente, e está tudo certo. Errado, não faça se não for direito. Ser social envolve uma gama de ferramentas e, principalmente, atitudes. Vamos pensar em um aspecto específico e prático. Com o aumento do uso de smartphones, mobilidade é a próxima onda para as empresas (e mídias sociais). Segundo a consultoria research2guidance, 10% das companhias listadas no ranking global Fortune 2000 já lançaram aplicativos para smartphones. A empresa estima que o mercado de aplicativos móveis cresça 807% nos próximos quatro anos. No Brasil, de acordo com estudo da Mowa (grupo especializado em soluções móveis e inovações tecnológicas), apenas 5% das empresas podem ser consideradas móveis. O estudo foi realizado entre novembro de 2009 e fevereiro de 2010, tendo como base as 500 maiores empresas do Anuário Melhores&Maiores da revista Exame. Ou seja, há espaços para crescer, possibilidades de pioneirismo, necessidade de investimentos em diferenciais. Mídia social é algo simples, por tratar de algo básico: relações humanas. Mas se raciocínio, alinhamento estratégico e implantação forem simplórios, será a morte.

É óbvio que este texto é uma provocação até um tanto barata. A web 2.0 é, sim, uma ferramenta acessível e necessária para qualquer empresa. Pipocam cases de pizzarias a imobiliárias de luxo se dando bem nesse ambiente, vendendo muito e sendo reconhecidas. Fato é que (e este é o lado sério desta história) comunicação digital não é para aventureiros nem uma brincadeira. Depois de entrar, não dá para simplesmente pedir para descer. E estar preparado e fazer o correto são fundamentais. Parece óbvio, não? Inacreditavelmente, para muita gente não é.

Entenda: a internet fica atrás apenas de TV e rádio em alcance no país. Se a sua companhia acha mesmo válido investir em anúncio de revista e não em uma plataforma 2.0, fique longe das redes. Se entende, por outro lado, ser a comunicação uma forma de crescer e fazer o seu negócio ter importância, estar fora das redes é perder uma das mais excitantes ferramentas à disposição.

* Rodrigo Dionisio é editor do blog da XComunicação; jornalista e fotógrafo, posta seus trabalhos em www.28estudio.com.br e centraliza sua vida digital em www.meadiciona.com.br/28estudio

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1 Comentário »

  1. Comentário by Cinthia Curado — 6 de julho de 2010 @ 16:41

    Ótima leitura e discussão!

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