Funcionário do mês
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Orgulho. Essa é a palavra. Conviver com uma “celebridade virtual” (definição do portal Terra) assemelha-se a ter um amigo vencedor de medalha olímpica ou da Mega Sena. Todas são figuras de quem você normalmente ouviu falar, mas nunca apertou a mão. Fabio Chiorino é um dos colegas mais queridos aqui da agência e um quase desconhecido até inventar o “curling de pobre”, na definição do André Dahmer. Quase, pois era autor e editor do finado e saudoso Haja Saco, além de ser coordenador de núcleo, pai, professor e careca (piada interna).
Em resumo, a foto que abre este post foi colocada no Twitter da mulher do Fabio, Amanda, como um chiste despretensioso. O texto e a imagem começaram a ser retwittados por gente extremamente lida na rede, como Luciano Huck e Kibe Loko, sendo que este também publicou em seu site. Em alguns dias, estava no jornal gaúcho Zero Hora, na home do portal Terra, em programas de esportes na TV paga e fica difícil saber onde mais vai parar.
O mais interessante desta história no final é perceber como uma brincadeira pode tomar proporções inimagináveis. Fabinho e sua mulher fizeram o que tem muita empresa pagando os tubos para agências online tentarem sem sucesso: criar um viral. Poucas têm conseguido, mesmo prometendo sucesso e mostrando gráficos disto e daquilo. E creio ser simples a fórmula para o sucesso do curling na cozinha, mesmo que, talvez, involuntária.
Como o próprio Fabio escreveu em seu Twitter e falou ao Terra, por causa dos jogos de inverno o tema estava em alta. A Record conseguiu boas audiências com a transmissão e o pouco usual de algumas modalidades ganhou comentários web afora. Ou seja, o tema era popular. Nosso embaixador do curling no Brasil ainda conta como já tinha visto fotos de outras pessoas com vassouras e apetrechos caseiros imitando os esportes, apenas deu uma incrementada na idéia, também usando objetos de casa. Portanto, temos proximidade. O tom humorístico fechou a fatura.
Em resumo, um viral nada mais é que uma notícia. Quem já viu um treinamento de imprensa (eu já apliquei alguns) com certeza lembra da parte na qual ensina-se que notícia é algo inusitado e próximo das pessoas. Sem as transmissões dos jogos, ninguém saberia o que é curling e a piada se perderia ou não teria impacto. A boa notícia ainda é inédita. Não é o caso, mas na web esse aspecto muitas vezes é substituído pelo humor.
Em nenhuma apresentação de agências web (e já vi também algumas) encontrei esse tipo de abordagem. A maioria tenta focar apenas no humorístico, acreditando em uma proximidade vinda do além. Sem corporativismo, talvez seja a hora de uma visão jornalística sobre este tipo de ação. Fabio e Amanda fizeram um viral sem querer. Uma equipe esperta e antenada contratada por uma marca de cerveja, por exemplo, poderia ter sugerido um ensaio reproduzindo de forma caseira não só o curling, mas outros esportes de inverno.
Gelo somado à cerveja no verão brasileiro nem é uma ideia tão difícil de ter. Mas claro, neste caso, qual agência ira querer uma ação bombando um evento esportivo da Record com todo o histórico de litígio nessa área da emissora contra a Globo. Ok, esse é outro assunto. O fato é que me orgulho como disse no início. Em duas semanas ninguém vai mais lembrar desta história, se não antes. Fica a lição e fica o enorme prazer de conviver com o Fabio. Pouco importaria se alguém além dos limites da Mooca o conhecesse.
Excelente o texto, Rô!
E a idéia do Fabinho e da Amanda também…
Repercutiu pelo mundo afora! Até um amigo meu de Paris me enviou um e-mail com essa foto, e já tinha sido encaminhado umas 4 vezes antes de chegar nele!
Espero que esteja tudo bem com o pessoal aí da X!
Um abraço.
Julien, ex-tagiário