Quem pergunta o que quer…

Postado por Rodrigo Dionisio, quinta-feira 13 maio 2010 as 13:01

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Fiat_headerNa semana passada, uma ação de lançamento ganhou espaço nas mídias sociais por conter, entre outras coisas, uma proposta megalomaníaca: organizar a maior entrevista coletiva do mundo (veja aqui). Ideia da agência Espalhe, o evento virtual reuniu uma das novas ferramentas queridinhas quando se fala em comunidades virtuais, o FormSpring.me, e a promessa ousada de responder qualquer pergunta, feita por qualquer um, a respeito do novo Uno. “Poderíamos ir pelo óbvio de levar blogueiros famosos ao lançamento, mas isso seria pouco inovador. Quando tomamos conhecimento da proposta do carro, houve a ideia de democratizar o acesso ao lançamento, de encarar todos como produtores de informação, não apenas jornalistas e blogueiros famosos”, afirma Gustavo Fortes, sócio-diretor de Planejamento da agência.

A ação pode ser considerada um sucesso e um marco no uso de mídias sociais e na democratização da informação, justamente por ter como base um formato antigo e “cansado”, a entrevista coletiva. Por outro lado, a proposta de criar um grupo de “respondedores” chamado Happy Hour, cujo objetivo era responder de maneira bem-humorada perguntas sem-noção, quase causou uma crise virtual (e ofuscou a iniciativa). Em uma pergunta sobre possibilidade de compra de um Uno cor-de-rosa, a resposta dizia que essa seria a escolha perfeita para um torcedor do time do São Paulo. Alguns veículos deram destaque para essa história, acusaram a brincadeira de homofóbica e preconceituosa (veja aqui).

“A informalidade do ‘pergunte qualquer coisa’ também dá margem para ‘responder qualquer coisa’. Isso proporciona um tom bem mais humano às conversas. O caso citado transparece esta relação humana gerada pela ferramenta e, em momento algum, comprometeu nossos objetivos iniciais”, diz Gustavo, em bate-papo com o XComunicacão por e-mail. Ele ainda comenta que por não trabalharem no grupo Happy Hour com porta-vozes oficiais da Fiat, mas com “dezenas de pessoas” treinadas, mas sem um alinhamento fechado de discurso, havia a possibilidade assumida de “respostas infelizes”, conforme as próprias palavras do diretor da Espalhe. “Foi um aprendizado, o que geralmente acontece quando abrimos as portas para algo inovador”, comenta.

Além do Happy Hour, outros dois grupos de respondedores participaram da ação: o de Engenharia, que tratou das perguntas técnicas, e o de Marketing, responsável por esclarecer dúvidas a respeito de aspectos comerciais e de produto. As perguntas não eram direcionadas, e podiam ser respondidas por qualquer um dos grupos (a solicitação do Uno cor-de-rosa foi atendida pelo grupo de Marketing e pelo Happy Hour). Ao final da ação, foram mais de 3 mil questões respondidas, segundo Gustavo. “Tal foi a abertura oferecida ao público, que obviamente sabíamos que chegariam perguntas de todo tipo. Mas nos surpreendeu a quantidade de questões realmente focadas em conhecer o novo Uno e um pouco mais das estratégias da Fiat”, diz.

A montadora é cliente da Espalhe desde 2006, mais especificamente da área de PR da agência, a Fan, responsável pelos projetos de marketing da Fiat no Brasil. Entre outras ações da Espalhe estão o leilão de um chiclete mascado pelo ator Cauã Reymond, para Trident, e o recorde mundial de tatuagens feitas por um mesmo tatuador em 24 horas, para uma ação de Penalty. “Trabalhamos muito (não raro com bom humor) para que nossos clientes sejam alvo do boca-a-boca, mobilizando e envolvendo as pessoas. O boca-a-boca é o centro de nossas estratégias de guerrilha”, afirma Gustavo. É esperar pela próxima.

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