O paradoxo da Kodak

Postado por Guilhermo Benitez, terça-feira 24 janeiro 2012 as 10:39

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Esta fotografia digital NÃO foi captada por uma Kodak. Poderia.

Esta fotografia digital NÃO foi captada por uma Kodak. Poderia.

Depois de muita especulação, a semana passada acabou com a formalização do pedido de concordata da centenária empresa que inventou a fotografia como a conhecíamos. O império construído em torno da imagem analógica foi destruído pela fotografia digital. Mas a ironia, ou não, é que a própria Kodak, uma das empresas mais inovadoras do mundo, proprietária de cerca de 1.100 patentes, foi a criadora da primeira câmera digital, em 1975. Com medo de abalar seu lucrativo negócio de filmes e revelações, decidiu deixar a novidade na gaveta…

A triste história da Kodak me lembra outro desastre, este de toda uma indústria, a fonográfica. Com o advento do Napster e, depois dele, da incessante pirataria pela internet, as antes poderosas gravadoras hoje se arrastam em busca de sobrevivência. A pergunta que não quer calar é: será que, se ao invés de ficar brigando com a realidade e tentar segurar a torrente de fatos, os selos musicais tivessem mudado de tática, usado o potencial de distribuição de música pela web a seu favor e encontrar novas formas de monetizar seu negócio, o resultado não teria sido bem menos catastrófico?

Da mesma forma, será que se, com a vantagem que tinha por ter desenvolvido antes a tecnologia, a Kodak tivesse se antecipado e ganho o jogo digital, não teria se mantido como uma gigante da imagem?

Este paradoxo cai como uma luva para o (ainda) atual momento das mídias sociais. Por incrível que pareça, ainda temos muitas empresas se debatendo sobre o receio de perder o controle sobre algo incontrolável: como o público irá falar dela e o quanto deste diálogo irá se espalhar e reverberar pelo Facebook, Twitter etc. No lugar de tentar buscar se adequar à realidade e lucrar (ou minimizar perdas) com ela, prefere chorar um passado de controle que não existe mais (sinto informar mas seu consumidor está, neste momento, falando mal de sua marca nas mídias sociais, mesmo que você apenas tampe os ouvidos e finja que não está ouvindo).

A realidade, nua e crua, é de que os tempos mudam e ou nos adaptamos (como a IBM, por exemplo, fez com maestria) ou podemos virar mais um exemplo infeliz de dinossauro (eles, ao menos, não tiveram a chance que temos agora de mudar o jogo antes do final).

Guilhermo Benitez é jornalista e diretor associado da XComunicação

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