O tédio crônico de uma sociedade viciada em tecnologia

Postado por Rafael Duarte, sexta-feira 9 dezembro 2011 as 10:00

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Trinta segundos. Este é o tempo que uma pessoa demora para ficar entediada hoje em dia. Se você duvida, faça o teste: fique parado longe de computador ou televisão, não mexa no celular e tente se concentrar apenas em seus pensamentos por meio minuto. E aí, deu um siricutico? Uma vontade incontrolável de checar os emails, ver se tem mensagens novas ou até mesmo xingar muito no Twitter? Amigo, tudo o que tenho para te dizer é: #getalife!


O tédio é um problema que vem se agravando em nossa sociedade. Estamos tão viciados aos estímulos eletrônicos que, quando vamos vivenciar uma experiência que não os envolva, nos sentimos entediados. O assunto é tema do artigo “O caso do tédio”, do PhD em psicologia Adam J. Cox, o que o autor gosta de chamar de “caos da conexão constante”. Segundo Cox, há alguns anos seria considerado normal ficar entediado após duas horas sem fazer nada, ao que hoje bastam 30 segundos para sacarmos o celular do bolso, mesmo durante o almoço, sem cerimônia.

Bem, saiba que isto não é saudável. O caos da conexão constante pode levar à obesidade, falta de habilidade de comunicação e deficiência no senso de gravidade dos problemas. Por isso – e por uma pitada de brincadeira também, é claro – que a hashtag #getalife surgiu. Ela quer dizer “ei, você, saia do Twitter e vá viver a sua vida”. Serve para aquelas pessoas que estão sempre conectadas, mesmo na rua não largam o celular e sempre dão um jeito de checar as redes sociais ou sentem a necessidade de postar no Twitter cada momento da sua vida.

Foi o que aconteceu com o escritor norte-americano Steve Silberman. Quando descobriu o Twitter, ele ficou tão maravilhado com a velocidade com que as informações eram compartilhadas que passou a ficar horas online, sem nem ao menos se dar conta. Só quando sua editora lhe cobrou o livro que estava escrevendo, já atrasado, ele compreendeu o quanto aquilo ocupava o seu tempo. “Eu percebi que não podia escrever um livro entre tweets”, disse em entrevista ao jornal Columbia Jornalism Review.

O assunto foi tema da palestra “Get a Life: I Tweet, I Blog, But Do I Sleep?” no evento Science Writers 2011, nos Estados Unidos. Steve foi um dos palestrantes junto com Bora Zivkovic, editor dos blogs da revista Scientific American. Eles discutiram sobre como ter uma vida feliz online e no mundo real e perseguir objetivos que vão além de “como criar boas mensagens com apenas 140 caracteres”.

É claro que ninguém gosta de se sentir entediado, mas a habilidade de passar momentos introspectivos é algo precioso para todos. Afinal, não foi assim que a filosofia surgiu? Pegue uma agenda e anote quanto tempo você passa diariamente chegando emails e redes sociais, assistindo televisão ou jogando videogame. Faça a conta e diga se não valeria a pena fazer algo “monótono”, como ler um livro ou se dedicar a criar novos projetos. O escritor Raymond Chandler costumava passar quatro horas por dia escrevendo, mesmo que não tivesse nada para anotar, apenas para ter um momento para ficar sozinho com suas ideias. Não vamos radicalizar e criar a “Marcha do Offline”, mas talvez seja hora de olhar ao redor e entender que a vida vai muito além da tecnologia que temos à mão.

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1 Comentário »

  1. Comentário by DIVANETE — 15 de dezembro de 2011 @ 21:06

    GRANDE VERDADE, HOJE O SER HUMANO NÃO TEM TEMPO E NEM DISPOSIÇÃO PARA NADA, NECESSITAMOS DE GRANDES MUDANÇAS, MAS SÓ NÓS MESMO PARA INICIAR ESSA NOVA FORMA DE VIVER SEM ESTRESSE DA TECNOLOGIA

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