Vamos falar sobre… sexo?

Postado por Rodrigo Dionisio, quarta-feira 16 junho 2010 as 10:41

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fernanda_colavitti_110x140 XPress Entrevista – Fernanda Colavitti

“Acho que sexo é um assunto recorrente em qualquer encontro, viu? Mas jornalista quando se junta em boteco é impressionante”

Profissionais de comunicação falam mais sobre sexo que outras pessoas? Talvez não, mas obviamente são ouvidos, vistos e lidos por mais gente. É o caso de Fernanda Colavitti, jornalista da revista Época, que escrutina os hábitos e costumes íntimos das pessoas no blog SexPedia. Ela faz questão de afirmar não ser especialista no assunto, no sentido de não ter uma formação acadêmica a respeito. Mas exerce com graça e leveza a função de curiosa em um tema universal. Afinal, como a própria jornalista define, “todo mundo faz sexo, e a maioria gosta”.

Nesta entrevista, Fernanda fala sobre o blog, a interação com os internautas, o espaço na mídia para o tema, o que mudou com a internet e, claro, sexo. As perguntas foram enviadas por Fabio Chiorino, Gabryel Strauch e Rodrigo Dionisio.

XComunicacao - Como surgiu a ideia do blog e por que você foi escolhida para comandá-lo? Por estar ligado a uma editora, há a possibilidade de o projeto ir além do formato atual (virar um especial impresso, por exemplo)?
Fernanda Colavitti
A ideia de criar o Sexpedia surgiu quando eu era repórter da revista Galileu, em 2008. Eu cobria saúde e comportamento na revista e sempre tinha muitas pautas sobre sexo. Como não havia espaço para tanto sexo na edição e como a editora Globo estava começando a investir em blogs ligados às revistas, o pessoal da redação sugeriu que eu criasse o Sexpedia para falar sobre sexo à vontade ali. Não há nenhum projeto de ir além do formato atual no momento.

XComunicacao - É mais difícil fazer ou falar sobre sexo? Como você definiu a linguagem mais apropriada para discutir o tema e ser entendida por seu público?
Fernanda ColavittiCom certeza é mais difícil falar do que fazer. Fazer não tem segredo (risos). Eu fiquei empolgada quando me ofereceram o espaço, mas travei na hora de concretizar o projeto. Fiquei escrevendo os posts um mês antes de o blog ir ao ar e pedindo sugestões para todo mundo. Queria que o tom fosse leve, divertido e informativo. Nunca tive a intenção de dar conselhos sexuais para ninguém. Existe muita gente mais qualificada para isso do que eu, que não sou sexóloga e nunca estudei nada relativo à sexualidade. Também não queria que ninguém entrasse lá para se masturbar, a ideia nunca foi ser sexy ou pornô. Minha ideia era criar um espaço para compartilhar informações, curiosidades e descobertas. Um espaço para discutir assuntos ligados ao sexo, sem baixaria. Comecei meio timidamente, divulgando estudos e fazendo um ou outro comentário, mas meio preocupada em me expor demais. Depois fui me soltando, percebi que muita conversa de bar poderia render assunto para o blog (esses são os que mais rendem) e agora coloco um pouco mais de opiniões e experiências pessoais (coloco muito pouco mesmo, afinal meu chefe e a redação inteira lêem o blog), tudo em linguagem bem informal, próxima a um bate-papo mesmo. Essa é a ideia.

XComunicacao - Sexo parece ser um tema sempre recorrente em encontros entre jornalistas (incluo aqui os colegas das assessorias de imprensa). Quem fala muito faz pouco, ou mal, como conclui o personagem central de Cidade de Deus no final do filme?
Fernanda ColavittiAcho que sexo é um assunto recorrente em qualquer encontro, viu? Mas jornalista quando se junta em boteco é impressionante. Podemos até começar a noite falando sobre política, mas de alguma maneira o assunto vira sexo. Como você disse, citando o filme Cidade de Deus, deve ser porque quem faz pouco fala muito…

XComunicacao - Os meios de comunicação, principalmente a TV, sempre tiveram figuras que falaram sobre o tema, de Marta Suplicy, no TV Mulher, a Sue Johanson, mais recentemente na TV paga. Por que as pessoas se interessam tanto em ouvir sobre o tema? Ainda há assunto?
Fernanda ColavittiPor mais que o assunto esteja na TV, nas revistas, nos sites e em todos os lugares, por incrível que pareça, sinto que as pessoas ainda têm muitas dúvidas sobre sexo e vergonha de falar sobre o assunto. Todos os dias, recebo e-mails de homens e mulheres com dúvidas básicas do tipo: o que se sente quando se chega ao orgasmo? (aliás, orgasmo feminino é um dos campeões de dúvidas, entre homens e mulheres) Ou sobre ejaculação precoce (outro tema campeão de e-mails). Acho que as dúvidas que as pessoas têm e a vergonha de perguntar sobre elas são um dos motivos pelos quais o assunto continua despertando interesse. O outro motivo me parece claro também: todo mundo faz sexo, e a maioria gosta.

XComunicacao - Como os veículos de comunicação tratam o tema sexo no Brasil? Na sua opinião, a abordagem deveria ser diferente?
Fernanda ColavittiAcho bem difícil cobrir o tema aqui no Brasil. Não há dados e pesquisas recentes sobre nada, precisamos fazer milagres para obter algum dado, sobretudo quando se trata de temas comportamentais. Dentro dessas limitações, acho que cada veículo, conforme sua proposta editorial, faz o que pode para cobrir o assunto. E em geral cobrem bem.

XComunicacao - As redes sociais democratizaram a discussão sobre sexo? As novas mídias conseguem abordar o tema sem cair na pornografia?
Fernanda ColavittiDemocratizaram, sim. Hoje em dia, qualquer pessoa pode criar um blog (o Sexpedia é um exemplo) ou uma comunidade para discutir qualquer assunto ligado a sexo. Se você tem um fetiche por balões (sim, isso existe, e eu descobri em comunidades de fetichistas na internet – para fazer um post!), você não precisa mais esperar que alguém escreva sobre isso para obter mais informações. Você pode criar um site ou uma comunidade para encontrar outras pessoas que tenham o mesmo interesse e trocar experiências. E as pessoas estão fazendo isso cada vez mais. Sobre abordar o tema sem cair na pornografia, acho que basta ter esse objetivo para executá-lo. É possível falar sobre sexo sem ser vulgar.

XComunicacao - Como funciona a interatividade com os leitores, seja do blog ou do twitter? Aparecem muitas dúvidas “bizarras”, você recebe cantadas ou propostas, há algum tipo de preconceito ou grosseria?
Fernanda ColavittiHá bastante interatividade, nos comentários e e-mails. É bem difícil arrumar tempo para responder os e-mails, mas eu tento responder sempre, mesmo que demore um pouco. O Twitter do Sexpedia tem pouco tempo (começou em março) e acho que eu ainda não consegui aproveitar todo o potencial da ferramenta. Por e-mail chegam as dúvidas, algumas bem bizarras sim, do tipo “conte-me todos os seus segredos sexuais para eu seduzir meu namorado”, cantadas e propostas (aí tem de tudo: homens, mulheres, gente educada pedindo meu MSN ou telefone e gente sem noção pedindo pra fazer sexo virtual ou me pedindo uma calcinha – é sério!). Tem gente bem grosseira também, que entra nos comentários para me xingar (mesmo, com palavrões) porque odeia o blog, odeia o post, ou me odeia, ou para xingar os comentários de outros leitores. Tento ser o mais democrática possível, não costumo apagar críticas, desde que sejam educadas e fundamentadas.

XComunicacao - Crianças e adolescentes estão cada vez mais cedo tendo acesso às questões envolvendo o sexo. A internet, nesse caso, passa a ser uma vilã ao invés de mocinha?
Fernanda ColavittiSempre existiram as revistas e filmes pornôs. A internet é só mais um meio de acessar conteúdo sexual. Da mesma forma que no caso dos filmes e revistas, cabe aos pais controlar o tipo de coisa que os filhos vêem na internet. É claro que a web facilitou o acesso aos conteúdos sexuais (nem sempre educativos), mas não acho que ela seja a vilã.

XComunicacao - A sociedade contemporânea é marcada pelo sexo causal. Este é um fenômeno saudável ou um sinal de que as pessoas cada vez menos se apegam a uma relação duradoura?
Fernanda ColavittiDifícil responder essa pergunta, porque nem todas as pessoas lidam da mesma maneira com sexo casual. Mas, de maneira geral, acho que se as regras estiverem claras para ambas as partes (é só sexo e nada mais), e ambos concordarem com elas e não criarem expectativas, não vejo problema. E, é obvio, mas não custa lembrar, sempre usando camisinha. E não, não acho que o fato de as pessoas estarem fazendo mais sexo casual tenha relação com a falta de apego a relações duradouras. Tem muita gente por aí em relações duradouras fazendo sexo casual…

Profissionais de comunicação falam mais sobre sexo que outras pessoas? Talvez não, mas obviamente são ouvidos, vistos e lidos por mais gente. É o caso de Fernanda Colavitti, jornalista da revista Época, que escrutina os hábitos e costumes íntimos das pessoas no blog SexPedia. Ela faz questão de afirmar não ser especialista no assunto, no sentido de não ter uma formação acadêmica a respeito. Mas exerce com graça e leveza a função de curiosa em um tema universal. Afinal, como a própria jornalista define, “todo mundo faz sexo, e a maioria gosta”.
Nesta entrevista, Fernanda fala sobre o blog, a interação com os internautas, o espaço na mídia para o tema, o que mudou com a internet e, claro, sexo. As perguntas foram enviadas pelos coordenadores da XComunicação Fabio Chiorino, Gabryel Strauch e Rodrigo Dionisio.
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2 Comentários »

  1. Comentário by Roberto — 16 de junho de 2010 @ 16:31

    Nossa eu não imagino como uma pessoa consegue se divertir fazendo sexo virtual. Mais gosto é gosto, não se discute.

    As pessoas complicam tudo. Sexo é sexo, amor é amor.
    As vezes os dois estão juntos, outras não.
    O fato que dos dois jeitos é bom demais.

    Na época da copa em último caso coloca a bandeira do brasil e vai por amor a pátria.

    Show de bola as entrevistas!

  2. Comentário by Stefanny — 28 de fevereiro de 2011 @ 13:25

    Eu gostaria de bater um papo sobre o assunto, e tirar algumas duvidas, será que vocês poderiam entrar em contato comigo para mim poder fazer algumas perguntas?

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