Web 2.0: não faça online o que não faria ao vivo
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Artigo
Por Rodrigo Dionisio*
Muita gente fica espantada com crises online. Não consegue entender como um executivo toma esta ou aquela atitude na web. Queima seu filme e, de tabela, o da empresa. Na minha modesta opinião a questão é bem simples: educação. As pessoas de uma maneira geral perderam o senso e, com a impressão de distância causada pelo uso da web, pioram seu lado mais troglodita.
É necessário treinamento e planejamento para engajar funcionários, transformar a rede de pessoas em uma rede institucional, utilizar efetivamente as ferramentas web para um fim definido. Por outro lado, dicas rápidas e diretas de educação e bom senso podem evitar que você entre em uma roubada digital, assim como não entraria em uma na vida real.
1) Jogo de futebol no principal estádio da sua cidade. Seu time ganha e você vai dar uma volta, feliz da vida. Entra em um ônibus lotado, reconhece um amigo seu,torcedor de um time adversário, alguns assentos de distância. Você, imediatamente começa a gritar descontroladamente: “CHUPA, SEU ***!!! VAI TOMAR NO **!!! SE ***, SEU ****!!!”. Não, você não faz isso por saber da possibilidade de os outros passageiros serem torcedores adversários e você ser linchado? Então não faça isso no meio virtual.
2) Você vai a uma festa, esperando encontrar alguns amigos lá, afinal é um lugar badalado e freqüentado por pessoas da mesma faixa etária que você, muitos do mesmo ramo de atividade. Ao chegar ao local, descobre que ninguém mais conhecido foi, e o lugar está lotado de estranhos. Mas a música é legal, as pessoas parecem interessantes e você resolve se enturmar, e a melhor maneira de fazer isso é chamando a atenção. Sem pudores, sobe em uma mesa e começa a tirar a roupa, afinal, ninguém dali sabe quem você é e pouco importa se todos têm celulares que gravam e tiram fotos. Também não age assim? Não preciso dizer que fazer o mesmo online é uma péssima ideia.
3) Sua família é de origem humilde. Ainda assim, a custa de seu talento e esforço, você subiu na vida e hoje ganha mais dinheiro e é mais realizado que qualquer um dos seus parentes. Almoço de Natal, hora de comemoração, e o marido da sua irmã, vulgo seu cunhado, começa a defender posições políticas diferentes da sua. Você começa a debater com ele e os ânimos ficam aquecidos. Ele está um pouco alto e é um tanto grosseiro. Você entende a situação e deixa a disputa, tenta acalmar os ânimos ou olha bem para ele encerra o papo o “colocando em seu lugar”, e humilhando o resto da família de tabela, com a frase “cala a boca, o que eu ganho em um mês você tem de trabalhar dois anos para juntar!”? Se o bom senso manda seguir a primeira atitude, não vai ser difícil de fazer o mesmo online.
Creio que esses três exemplos são suficientes. Mas apesar de parecerem óbvios, o senso comum não foi o bastante para evitar duas crises. Uma com um executivo da LocaWeb que ofendeu torcedores do São Paulo pelo Twitter e outra com os jogadores do Santos tentando humilhar torcedores na Twitcam. E o segundo exemplo? Busque na mesma Twitcam, tem gente, em horário de trabalho, no computador da empresa, se exibindo para os amigos online… Se não achar, aguarde as próximas notícias. Elas virão.
* Rodrigo Dionisio é editor do blog da XComunicação; jornalista e fotógrafo, posta seus trabalhos em www.28estudio.com.br e centraliza sua vida digital em www.meadiciona.com.br/28estudio
O ambiente 2.0 permite essa interação online, ao mesmo tempo aproxima e distancia as pessoas, o que cria uma distorção entre o real e o virtual, isso porque na internet todos somos produtores de conteúdo e podemos nos posicionar da forma que acharmos adequada.
Trabalho em uma empresa de pesquisa em mídias sociais e pós-venda (www.multipos.com.br) e percebo através dos perfis analisados que as pessoas expõem suas características e utilizam a web para publicar aquilo que diriam ou fariam ao vivo e o contrário também.